Serra da Canastra além dos queijos

Tá, o queijo Canastra é realmente uma maravilha. É feito de leite cru de vacas lindas e saudáveis, com receitas criadas e recriadas por gerações, em um terroir (sim, tem isso pra queijo também) único.

Eu sei que quando se fala na Serra da Canastra a primeira coisa que qualquer um que não tenha intolerância à lactose (sinto muito) lembra é do famoso subproduto lácteo. Mas não é por acaso que o Parque Nacional tá ali. A natureza, que já é caprichada nas Minas Gerais, aqui ganha uns contornos mais selvagens.

Nossa viagem foi a dois, pra passar o Natal. Nossa fiel e adolescente companheira de aventuras só iria se juntar a nós pra passar a virada de ano, já em Capitólio. Deu um certo arrependimento, precisamos confessar. A viagem em duas artes acabou ficando 40% Canastra e 60% Capitólio. Depois entendemos que poderia ter sido 80% Canastra fácil, fácil.

Isso já ficou claro quando paramos o carro na frente da porteira da Pousada Fazendinha da Canastra e tocamos o sino. Enquanto o Vicente, proprietário do lugar, vinha nos receber, já dava pra ver como os chalés, com bom espaço entre eles, encaixam bem na paisagem. E um lugar que tem um cavalo branco, tranquilamente solto como se fosse um dos muitos cachorros que vivem por lá, você já sente que é especial.

O Vicente fala tanto e com tanta empolgação, que a gente só tinha que concordar com o palestrinha. Logo explicou como funciona a região, o parque, as queijarias. Com mapas que ele mesmo fez, basta zerar o odômetro do carro e aproveitar as cachoeiras e mirantes do caminho.

Em dois dias, dá pra fazer bastante coisa, mas com três ou quatro (ou 10!) você não sente nem de perto o tédio. O basicão é fazer a parte baixa primeiro e depois a parte alta. A gente acabou invertendo a lógica, porque chegamos um dia depois da maioria da turma que estava na pousada e no primeiro jantar a palestra foi sobre a parte alta.

Como cada um ia com seu carro, achamos melhor seguir o comboio, conhecer gente, interagir. Até demos carona para duas mulheres que estavam com medo de ir com seu carro pequeno. Coisa rara, geralmente a gente é mais reservado.

Como todo parque nacional, pelo menos os que a gente conhece, ele é imenso. Cabe a cidade de São Paulo dentro dele, pra se ter uma ideia. Conhecemos uma pequena parte, com algumas atrações obrigatórias: nascente do Rio São Francisco, Curral de Pedras e no final da subida, uma cachoeira que dá um frio na barriga de ver e um gelo no corpo de entrar.

A subida é punk. Dá pra ir de carro baixo, mas o ideal é um 4×4 mesmo. Tivemos que parar pra ajudar uma turma, incluindo um com um jipinho metido a aventureiro, mas sem tração. Na volta, ainda com os olhos cheios de montanhas, rios, pássaros e até veados, pegamos uma chuva muito forte, que chegou a deixar o ambiente tenso.

Na parte baixa o passeio é bem tranquilo, cheio de cachoeiras pra ver e nadar. E a comilança na pousada ou na cidadezinha próxima, além das fazendas de queijo, faz a alegria de qualquer um que goste de comida de verdade (incluindo os pasteis de milho da minha infância).

Aliás, Minas Gerais, né. Comida, natureza e gente de verdade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s