O que fazer (e onde comer) em Belém

Principalmente onde COMER. Belém é uma cidade pra ir de cabeça e boca aberta.

Como nossa rotina de passeios foi bem leve, não faz sentido dividir por dias. Tudo é muito perto, então você pode fazer sua programação como preferir.

Fizemos muita coisa a pé. Sempre que o local era a menos de 2 km a gente andava pra ir e pra voltar pegava um Uber ou taxi (bem servidos na cidade). Questão de segurança: conversamos com muita gente local e todo mundo disse a mesma coisa: de dia é tranquilo, de noite não se arrisque. E claro, não bobeie com celular ou jóias na rua, recomendação que vale pra qualquer cidade do mundo.

Mercado Ver o Peso

Primeiro lugar que a gente foi e é incrível como todas as descrições, matérias de TV e relatos de viagem que você já viu. Somos muito fãs de mercados públicos, mas o de Belém é especial. É mais bagunçado, mais sujo, mais barulhento, mas também é o mais rico. E ainda fica quase todo ao ar livre, na beira do rio.

E pra chegar no ver o peso a pé, a gente acabou meio sem querer passando por todo o comércio popular. Pensa na 25 de março, de SP, ou no Saara do Rio mas em ruas estreitas e apertadas e você vai ter uma ideia. E tem de tudo, de castanha a prostituta fazendo ponto.

Ele é dividido em áreas: sucos / chocolates, ervas, farinhas e castanhas, artesanato, animais e feira livre, restaurantes – em cima os gerais e embaixo os especializados em peixe com açaí. O mercado de peixes é o único em um prédio fechado, todo de ferro. Falando assim parece que é tudo muito organizado, mas é uma mistura maravilhosa, a gente só percebe a divisão quando presta mais atenção.

Fomos três vezes, compramos colares e canecas, quilos de castanhas e até farinha, que é bem grossa e crocante. O açaí é ao natural, sem açúcar nem gelo. Feito na hora. Não dá pra dizer que é uma delícia, é muito diferente do que estamos acostumados no sul maravilha. Mas deve ser como tirar o açúcar do café, depois que o paladar acostuma não tem mais volta.

Estação das Docas

Uma vista linda e ar condicionado. A Estação das Docas até podia usar esse slogan pra atrair mais visitantes, mas nem precisa. Colada no Ver o Peso, o espaço que junta restaurantes, lojas e sorveterias é um produto turístico tão bem feito que até os locais gostam de frequentar.

Os restaurantes não são grande coisa. (Acho que é uma verdade científica: a qualidade da cozinha é inversamente proporcional à beleza da vista – o único lugar que a gente viu uma exceção a essa regra é na Chapada dos Guimarães, dá uma olhada lá)

As opções pro almoço são buffet livre, cheio de pratos típicos, ou pratos individuais não muito inspirados, mas longe de serem ruins. Comer mal em Belém é muito difícil. Mas dois lugares valem a pena: a Cervejaria Amazon Beer a Sorveteria Cairu.

A cerveja é feita ali mesmo, em uma microcervejaria. Como se não bastassem os chopps frescos, com receitas que misturam frutas locais e estilos tradicionais de cerveja (minha preferida foi a premiada Stout com Açaí, seguida de perto pela Witbier com Taperebá) – ainda tem bons petiscos e pratos. Pede o queijo de Marajó na chapa que você não vai se arrepender.

 

Mangal das Garças

Em toda pesquisa sobre pontos turísticos de Belém aparece o Mangal e meio que esse lugar entrou na nossa lista de tanto que encheu o saco.

Mas olha, e não é que vale muito a pena a visita? O parque é lindo e você já percebe a razão do nome de longe, vendo as garças voando. A entrada é gratuita no complexo geral, mas lá dentro alguns espaços têm entrada paga (R$ 15 pilas o pacote completo que vale a pena).

As garças, claro, são a atração principal. Elas estão em volta do lago e cada vez que resolvem voar em bando e um espetáculo. Os lagartos também estão por lá, tomando sol na grama ou se pendurando nas redes dos espaços fechados.

Nas opções pagas, tem o borboletário, o aviário e a torre de 00 metros de altura, um baita lugar pra ver a cidade, o rio e fazer aquela selfie caprichada.

Ilha do Combu

Chocolate artesanal feito a partir de cacau orgânico, que nasce de forma espontânea na ilha. Se você acha que isso já é motivo suficiente pra passar 10 minutos em um barquinho na Amazônia, saiba que lá na Ilha do Combu ainda tem vários restaurantes com peixe estalando de fresco.

A travessia é feita na Praça Princesa Isabel. Vá de Uber ou táxi até lá, é mais seguro. Custa pouco mais de 5 reais por pessoa, depende de quantas paradas você vai fazer. É tudo na conversa com os barqueiros, todos gente boa demais.

O básico é fazer a primeira parada no Chocolate da Dona Nena e depois ir pro restaurante que você preferir. Fomos no último, que tinha mais estrutura e pra navegar pelo o rio todo.

A espera pela comida é mais longa que num restaurante normal, mas tomando uma cerveja e com os pés (ou o corpo inteiro) no igarapé você nem percebe o tempo passar.

O peixe estava bom, nada do outro mundo, mas vale a pena o passeio. Dependendo da época do ano, tem que ficar esperto. A gente pediu a conta logo depois de comer e assim que apareceu um barco embarcamos pra voltar. No horizonte, uma chuva vinha rápido. Parecia que ia demorar um pouco pra chegar, mas foi só desembarcar que ela despencou.

Quem ficou na ilha, teve que esperar umas boas duas horas pra embarcar de volta.

A pé no centro histórico

Nosso rolê a pé foi no dia 1º de janeiro, então vimos algumas coisas interessantes como a posse do governador e um ~show~ de fogos que durou constrangedores e ensurdecedores 10 minutos, tempo que o governador e a primeira dama ficaram em pé, no púlpito, suando e provavelmente já pensando em exonerar o responsável pelo evento.

Mas em um dia comum, você pode visitar o Forte do Castelo de Belém, que tem uma vista linda e um pequeno museu muito bom, com artefatos antigos e a história dos povos do norte – as ligações com os povos incas são de emocionar. Depois uma passadinha na Casa das Sete Janelas e finaliza no Iacitata, um ponto de cultura alimentar.

A gente deu azar, ele só reabriu no dia 3 de janeiro, quando a gente já tava no aeroporto embarcando de volta.

Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré

Ir em igrejas é sempre um programa turístico, mesmo a gente não sendo religioso. Mas a arquitetura, a história e a relação da população local com a igreja (em países católicos, claro) sempre valem a pena ser conhecidos.

Em Belém, ainda com as manifestações religiosas fortes que a gente viu no Peru bem frescos na memória, tivemos um impacto diferente. Chegamos na Basílica bem no final de uma missa, povo saindo da igreja em grupos, alguns ainda rezando.

Dava pra sentir que tinha algo diferente ali, na terra do Círio de Nazaré. Entrando na igreja, que é enorme, vimos muita gente ajoelhada na frente do altar

Museu Emílio Goeldi

Mistura de museu, parque e zoológico, visita boa pra quem vai com criança. Fica bem perto da Basílica, dá pra fazer os dois em sequência. Apesar do zoo ter algumas jaulas meio deprimentes para onças, a parte de peixes da Amazônia é bem cuidada e tem alguns animais soltos pelo parque, principalmente roedores e aves.

No museu, havia uma exposição muito boa sobre povos indígenas, com várias informações sobre a relação entre demarcação de terras e construção de hidrelétricas.

Theatro da Paz

A visita é curta e deixa um gosto de ‘quero mais’. O teatro mais antigo do Brasil, com 140 anos, ainda preserva as cadeiras originais, as pinturas nas paredes e o ar colonial. Lá dentro você conhece as histórias do ciclo da borracha, quando o dinheiro rolava tão solto que as mulheres mandavam os vestidos pra lavar em Paris, por causa da agua barrenta de Belém.

A plateia do teatro é toda dividida em áreas, cada uma para uma classe social. O sistema de ar condicionado era com gelo seco e havia vários rituais de apresentação de meninas para arrumar casamento, de ostentação de riqueza e influência política.

Lindo mesmo, não deixe de ir e aproveitar pra conhecer a praça que fica na frente e o bar que fica do lado, que tem uns petiscos interessantes.

Passeio de barco

Programão turístico que sai da Estação das Docas no fim do dia. Tem um guia engraçadão, mas bem informado, tem apresentações e aula de Carimbó e pra nós teve chuva, vento e enjôo. É bonito, mas demos azar.

Comendo em Belém

Pra nós, ir a Belém foi dar de cara com um Brasil diferente. Com os mesmos problemas, os mesmos defeitos e qualidades, mas com outra cara, outro sabor. Menos pasteurizado, mais natural, menos industrializado, embalado e saborizado artificialmente.

E os sabores das frutas e temperos são muito diferentes. O jambu e o tucupi são até difíceis de serem explicados, tem que sentir. E passar 10 dias comendo apenas peixe foi uma consequência natural.

 

Remanso do Bosque: é o mais famoso restaurante da nova geração gourmet-masterchef-canalgnt. Custa caro, a expectativa antes e a conta depois atrapalham um pouco, mas no geral a experiência é bem legal.

Sorveteria Cairu e Sorveteria Ice Bode: A primeira é a mais famosa, mas a outra parece que é mais fácil de achar pela cidade. E é tão boa quanto, além de ter o Bodeshake. Vá na sorveteria todo dia, mais de uma vez por dia se possível, pra poder experimentar o maior número de sabores de frutas que um ser humano consegue. E tome bastante sorvete de Taberebá.

San Tito: Restaurante por quilo, fica bem perto do Radisson. Buffet variado, bom ambiente, uma bela opção naqueles dias que você só quer almoçar rapidinho e ainda assim manter o pé nos temperos locais.

Engenho do Dedé: Mistura de restaurante, boteco e mercearia, ocupa uma área gigante no Shopping Boulevard. É uma rede com presença forte no norte /nordeste, faz a linha comida regional de “raiz”. Mesmo não sendo nem um pouco fãs de redes de comida acabou sendo nosso último jantar em Belém.

Iacitata Ponto de Cultura Alimentar: Era nossa maior expectativa gastronômica, os vídeos e indicações de amigos deixaram a gente louco pela experiência mas – SPOILER – não rolou. Era pra eles voltarem de férias no dia 2 de janeiro, nosso último dia na cidade. Meio-dia em ponto estávamos na porta, foi chegando gente e nada de abrir. Só depois de alguns minutos de negação, raiva e finalmente aceitação fomos embora e mais tarde descobrimos que a reabertura foi adiada pro dia seguinte, bem na hora que a gente já estaria no aeroporto embarcando de volta. Fazer o que, seremos obrigados a voltar a Belém.

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