Coca Cusco

FOTO, PICTURE! LHAMA, PICTURE!

Com roupas típicas e um filhote de lhama no colo, a senhora anda pra lá e pra cá nas ruas estreitas de Cusco, antiga capital do império Inca. O produto que ela vende está ali, no colo; aliás produto não, serviço. Fotíneas fofíneas com lhamineas fofíneas.

Sério, é difícil resistir – mas a gente resistiu. E olha que somos fãs de lhama.

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Mas voltando um pouco no tempo, vamos falar da chegada à antiga capital. A expectativa era grande, não só por ser o ponto de partida pra Macchu Picchu, mas pela preocupação em relação à altitude. 3 mil metros são um soco no estômago seguido de um tapa na cara.

Nosso voo chegou no início da tarde. E que voo. A vista da janela é absurda a viagem inteira, quilômetros e quilômetros de cordilheiras lindas, algumas com neve no topo. Assim que pousamos, o primeiro aviso que o local era diferente: fui abrir a garrafa plástica de água e mal virei a tampinha, ela voou como uma bala. Não percebi que a garrafa estava inchada, cheia de pressão. Por sorte, o projétil não atingiu ninguém.

Descendo do avião, já parecia que a gente estava andando na lua. Não era uma falta absoluta de fôlego, mas não dava pra andar rápido. Chegando na esteira de bagagem, uma cesta cheia de folhas de coca dava as boas vindas. Santa folha de coca! Foi colocar na boca e começar a se sentir melhor na hora.

Transporte, check in no hotel, saímos pra dar uma volta – devagar – comemos um lanche leve e descansamos o resto da tarde. Saímos à noite para jantar, sempre andando pouco, e dormimos cedo. No dia seguinte, começava a jornada pra cidade perdida. O primeiro desafio, era arrumar as malas. No trem que vai pra Machu Picchu só é permitido levar bagagem de mão, então cada um tinha que arrumar uma mochila com roupa suficiente para dois dias.

Aqui você tem duas opções. Continua a ler, levando em conta que passamos dois dias fora e voltamos. Ou vai lá e lê o texto sobre Olyataitambo e Machu Picchu.

Ir a Machu Picchu logo no início da estadia em Cusco foi uma opção segura. Em caso de imprevisto, a gente tinha uns dois dias pra remarcar as coisas. Menos de um mês depois que a gente voltou, um acidente no trem que levou a gente mostrou que isso foi uma decisão acertada.

Mas tem uma desvantagem: quando você volta a Cusco, depois de passar por uma experiência como Machu Picchu, a cidade parece que perdeu a graça.

É claro que logo a magia é recuperada. Mas depois de todos os dias de viagem, mais a altitude, o cansaço bate forte. Além disso, pegamos frio e chuva logo no primeiro dia. Chegamos a interromper o Walking Tour no meio pra voltar pro hotel antes de congelar.

O fato é que tínhamos três dias na cidade, quando dois já seriam mais que suficientes pra rodar o centro. Há ruínas em volta, mas já não estávamos nessa brisa. Então fomos de leve, fazendo pequenos passeios e refeições demoradas. Sentando no banco da praça pra olhar o movimento, demorando no café da manhã do hotel, que TINHA MANDIOCA FRITA.

Cusco é um grande centro histórico, tudo remete ao tempo (maravilhoso) em que a cidade era a capital do Império Inca – história que a gente aprende bem em Machu Picchu. Dica mão de vaca: entre nas igrejas no horário das missas pra evitar pagar o ingresso. Mas fique e assista a missa, não dê uma de turista e atrapalhe a fé alheia.

Gaste a sola do tênis pelos prédios históricos e não deixe de ir até o mercado San Pedro. Uns dois quarteirões antes do mercado você já está numa loucura de feira livre. É gente e carro disputando espaço, é barraca atrás de barraca lotada de frutas, milhos e batatas, é frango e carne sendo cortadas ao ar livre. Uma delícia para todos os sentidos. E o mercado em si também é incrível. Tem uma parte mais “praça de alimentação”, várias barracas de roupas com preços legais e muita lembrancinha de viagem, chocolates, pães gigantes e petiscos de milho.

A comida em Cusco não deixou a gente muito impressionado, na verdade foi difícil achar restaurantes bons de qualidade e preço. É tudo muito turístico demais, mas fora um almoço muito ruim e demorado, achamos alguns lugares que valem a visita.

O café La Valeriana foi um que mereceu mais de uma visita: lugar simpático, grande, decoração modernosa e doces lindos. Nada muito maravilhoso de gostoso, mas pra descansar e se esquentar é perfeito.

Pro almoço, num dos dias mais frios e chuvosos, achamos por acaso o Nuna Raymi. A sorte foi dupla, porque bem naquele dia eles tinham uma promoção de menu completo com entrada, prato principal e sobremesa por coisa de 20 soles. É daqueles restaurantes que você não espera muita coisa quando está na porta e vê uma escadaria estreita pra subir, mas chegando lá em cima, se abrem dois salões lindos, amplos, uma horta orgânica entre eles e aquecedores te convidando a ficar e comer com calma.

Comida bem feita, delicada, saborosa, bem apresentada, atendimento simpático. Pena que na segunda vez que tentamos ir não tinha mais promoção e os preços estavam meio pesados de digerir.

Na última noite, bem sem querer como uma boa viagem que se preze, achamos a Pizza La Bodega 138. Lugar pequeno, mas bem ajeitado, com uma pizza fininha, crocante e boas cervejas. Tomamos uma IPA a base de chicha pra uma despedida digna desse país impressionante.

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