Bonito e Chapada dos Guimarães: dois extremos

Resumão

  • 3.225 km rodados
  • 3 estados
  • 7 Cidades
    • Ampére (PR),
    • Bonito (MS),
    • Jaciara (MT),
    • Cuiaba (MT),
    • Campo Grande (MS),
    • Chapada dos Guimarães (MT),
    • Ponta Grossa (PR)

 

Bonito é o (desculpe o jargão de trabalho pra um texto sobre turismo) case perfeito de gerenciamento dos recursos naturais em prol do turismo no Brasil. Ao contrário de outras tantas, a cidade explora o turismo, não o turista.

Organização e pontualidade são impressionantes até pra quem, como nós, mora em numa cidade de colonização alemã em Santa Catarina. Um dos nossos passeios era 15h20 do dia 25 de dezembro (data em que alguns lugares do mundo é Natal), e exatamente nesse dia e horário fomos atendidos com eficiência e até um pouco de simpatia forçada.

Mas pra chegar lá, Bonito e nós percorremos um caminho longo. Pra nós, 1.200 km de carro, atravessando o Paraná, fazendo um pit stop em Guaíra, no Paraguai (vale a pena, bons preços nos shoppings), e cruzando as estradas do Mato Grosso do Sul com paisagens intercaladas por plantações de soja e de carne.

O sucesso de Bonito, que só perdeu o posto de maior atração ecoturística pra Foz do Iguaçu por causa da Copa de 2014, está apoiado em 3 pontos, na minha humilde cagação de regra.

  • Organização: A cidade uniu poder público, agências de turismo e donos de atrativos em torno do voucher único, uma forma de controlar o acesso aos atrativos turísticos que ao mesmo tempo evita a prostituição do mercado e a concorrência desleal, controla o fluxo de turistas para que não tenha gente demais nos lugares e ainda dá recursos para a prefeitura investir na divulgação e estrutura da cidade.
  • Facilidade: É fácil fazer turismo em Bonito. Em uma única rua, perto da praça obviamente, estão todas as lojinhas de quinquilharias, restaurantes, pousadas, sorveterias e agências de turismo receptivo. Anda-se a pé, pra cima e pra baixo. Para ir aos passeios com seu próprio carro, basta seguir o mapa oficial da cidade, livremente baseado no mapa do metrô de Londres e com instruções detalhadas no estilo rally de regularidade. Zere o hodômetro e chegue ao seu destino sem erro.
  • Diversidade: Tem atração pra todo mundo na cidade. Crianças podem se divertir na água com segurança, velhos podem tomar sol feito samambaias com segurança e a turma do barulho pode se meter em altas confusões com segurança (sem nem arranhar o braço e ter que colocar mertiolate que não arde).

Mas o que interessa mesmo é que Bonito vale a pena. Passamos o natal lá e praticamente tudo funciona nos dias 24 e 25, o que é um alívio pra quem quase passou fome longe de casa em datas como essa.

Em 4 dias, fizemos 6 atrações, fora a comilança de sorvetes assados. Tem muito mais pra conhecer e fazer, mas se vc se interessa, olha abaixo nosso resumo.

  • Boca da Onça – uma cachoeira de 150 metros que é só uma parte do passeio. A recepção é numa construção estilo rústico-chique-casa-de-fazenda, onde os grupos são montados, orientados e despachados de van ou na caçamba de um 4×4 (nosso preferido), até o ponto de partida da trilha de mais ou menos 4 km. Trilha é forçar um pouco a amizade, o caminho é melhor do que muita calçada de cidade grande e pra subir e descer tem escadas, pontes e corrimões. Tudo no estilo acessível de Bonito. Tudo bem que andar 4 km e subir ou descer 800 degraus de uma escada íngreme não são acessíveis pra todo mundo, mas seria muito pior fazer isso no estilo roots, no meio do barro.

São 3 cachoeiras pra tomar um banho gelado. A melhor de todas, que vale o esforço, é o buraco do macaco. Nela, você precisa atravessar um pequeno túnel nadando, com cuidado pra não bater a cabeça na pedra, pra chegar a um poço aberto, com duas quedas d’água no meio. Não dá vontade de ir embora nunca mais.

A cachoeira principal, que dá nome ao lugar, também é linda. Tem 150 metros de altura, o local tem deck com cadeiras confortáveis e se você for bom de abstração visual vai realmente ver a cara de uma onça esculpida naturalmente no paredão onde a água cai. Eu vi o Batman, mas eu tenho problemas sérios.

 

  • Gruta da Lagoa Azul – É uma gruta com um lago de água que parece azul por causa do calcário e da areia do fundo. Caminhada de 2 minutos e uma descida grande por uma escadaria de pedra. O lugar é realmente lindo, com estalactites e formações rochosas curiosas, mas como toda caverna de grande visitação, a maior parte do atrativo está na imaginação do visitante e na qualidade do guia. Você não pode tocar em nada, não pode chegar perto, então resta ser informado que o lago tem uns 200 metros de profundidade, mas que ainda nenhum mergulhador conseguiu chegar ao fundo dele. Qualquer um com um pouquinho de curiosidade fica torcendo pra mergulharem até o fundo e descobrirem um mega esqueleto de dinossauro ou o monstro do Lago Ness.

 

  • Projeto Jibóia – Tem medo ou nojinho de cobra? Vai lá. A palestra é divertida (humor ácido, politicamente incoreto e – desculpe o trocadilho – venenoso), a gente realmente aprende meia dúzia de coisas novas sobre esses seres rastejantes e dá até coragem de fazer a famosa foto com a cobra pagando uma de cachecol. Aprendi inclusive a origem da expressão “fala mais que o homem da cobra”, porque o show do Henrique dura mais de 1h30 e no final, mais de 21h, morrendo de fome e com a senha 23 na mão, saímos de fininho (claro que o sacana viu e sacaneou comigo) pra jantar. Não ficou nem um pingo de arrependimento por não ter feito a foto.

 

  • Mergulho Rio Formoso – Como flutuação com snorkel é para os fracos e coxinhas, fomos direto pro mergulho com cilindro. Detalhe é que eu nunca tinha mergulhado e dona Patroa, apesar de já ter a experiência de um mergulho, ainda não aprendeu a nadar. O que no final das contas foi bom pra ela. Segundo o instrutor, saber nadar mais atrapalha que ajuda nos primeiros mergulhos. Fato este que constatei pessoalmente me atrapalhando e me enroscando no equipamento a 3 metros de profundidade.

 

Pra me atrapalhar ainda mais, tinha o bigode grosso, que fazia a máscara não aderir ao rosto direito. Pra atrapalhar mais ainda, tinha uma sensação de claustrofobia e um medo da velha rinite se manifestar de alguma forma. Mas pra ajudar e muito, tinha a água.

A experiência de mergulhar em um rio é bem diferente do mar. Enquanto na água salgada os mergulhadores têm mais liberdade para se locomover, no rio a gente segue uma corda contra a correnteza, que naquele dia estava bem forte, mais usando os braços do que as nadadeiras. O passeio vai até debaixo de uma cachoeira, mas não se empolgue: tudo o que se vê são bolhas e mais bolhas. A gente se confunde todo, se sente um pouco como roupa na máquina de lavar. E aí volta seguindo a corda, a favor da correnteza. Tempo de ida, 30 minutos, tempo de volta, 5 minutos.

Pra quem quer mergulhar pela primeira vez, pode ser uma boa opção. Mas tivemos azares: a visibilidade estava baixa por causa das recentes chuvas e os peixes não estavam lá por causa da piracema. Na época de seca deve ser um passeio sensacional.

 

  • Quadriciclo – No mesmo dia, fazer duas coisas pela primeira vez na vida. Mais por coincidência do que por planejamento, foi isso que aconteceu quando a gente subiu nos quadriciclos pra enfrentar a Trilha Pantaneira. É uma trilha de 7 km meio urbana, toda de terra e lama, claro, mas que não se afasta muito do centro. Tem um riacho pra atravessar, é preciso ligar o 4X4 em alguns trechos, e se você for um pouco mais ousadinho, até se suja um pouco de lama. A empresa ainda está começando, então não tem grandes esquemas de ganhar um dinheiro extra fazendo fotos e vendendo CDs pros turistas, mas são atenciosos e cuidadosos. A trilha começa leve, pra gente se acostumar com o equipamento e logo fica um pouco mais divertida.

 

  • Bote no Rio Formoso – Pra quem já tinha feito rafting, um passeio de bote grande, de 10 lugares, parecia que ia ser mais contemplação do que emoção. E valeria só pela vista das margens, dos pássaros e pela possibilidade remota de avistar uma sucuri. Mas as três corredeiras que o bote desce e a parada pra nadar no rio valem a pena. O local também tem uma área de banho, com pequenas cachoeiras, e uma estrutura forte de restaurante, lanchonete e outras atrações.

 

  • Comida: Não é muito barato comer em Bonito, a não ser que você esteja acostumado com os preços do eixo Rio – SP. Mas come-se de forma simples e boa. O pastel do jacaré tem massa boa, caldos legais pra noite e mesinhas na calçada pra apreciar a vista. Numa lateral da rua principal, perto do Bradesco, tem um dos poucos restaurantes que não funcionam no esquema preço fechado + coma o que aguentar, o Cantinho da Vovó (ou algo assim, a única certeza é o vovó no nome). Tem fogão a lenha e uns pratos diferentes, como carne ensopada com molho de jaboticaba e outras misturas. Obrigatório ir pra pousada fazer a siesta depois de passar lá. Pra um jantar mais caprichado, que foi nossa opção na véspera de natal, a opção certeira é a casa do João. Mistura de restaurante, museu e loja de quinquilharias turísticas, é um espaço enorme, bonito e com peixes bem feitos e atendimento simpático, com direito ao próprio João passando de mesa em mesa pra bater papo e saber se estava tudo bem. Lambari frito de entrada e uma cerveja Morena, de Campo Grande, são as dicas aqui. E finalmente, falemos de coisas polêmicas, falemos de sorvete assado: essa invenção meio esdrúxula cai bem até pra matar aquela fome fora de hora depois de um passeio. Mas é doce ao extremo.

 

  • Onde dormir e tomar banho – Ficamos e recomendamos a Pousada Pira Miúna. Bem localizada, café da manhã variado, com mesas grandes no salão se você quiser interagir com outros hóspedes, equipe de atendimento jovem e com vontade de ajudar. Fomos até recebidos com um Hello no check-in, afinal, uma loira de olhos azuis e um barbudo de 2m de altura são o típico casal gringo (e não é a primeira vez que isso acontece com a gente quando saímos de SC). A pousada também é boa pra quem vai com família e quer ficar de bobeira na piscina. O único senão é o chuveiro, com quase nada de pressão. Você tem que escolher entre os poucos pingos gelados ou muito quentes, mas isso é um problema crônico na cidade, por causa do calcário da água.

 

  • Compras – Quinquilharias pra todos os gostos, mas pra mulherada que ainda está na onda “estampa de onça” Bonito é Meca. Dá pra levar até uma onça em tamanho natural pra casa, se você quiser e puder. Duas dicas pra quem gosta de coisa fina: a cachaça artesanal (não compramos nem experimentamos, mas a loja e as embalagens chamam a atenção) e a cerâmica. As duas lojas você acha na rua principal, mas a cerâmica vale visitar o ateliê, atrás da praça, e comprar suas canecas lá mesmo, depois de conhecer o processo de fabricação. Loucos por canecas como somos, saímos de lá com 4 exemplares lindos e que já estão sendo devidamente usados no café da manhã.

 

  • Jaciara – De Bonito a Chapada, o plano era parar em Jaciara, uma cidadezinha minúscula quase no final do caminho, mas que tem alguma atividades em rio e cachoeiras. E paramos. O problema é que a cidade não tem nada muito decente pro turista, nem hotel nem restaurante. A agência que ia levar a gente pra um rapel na cachoeira e uma descida de duck também não era muito organizada (não tinha nem voucher!). A Caverna que Chora, principal atração da cidade e maior motivo da nossa parada ali, tinha sido fechada pelo IBAMA. Dona patroa passou mal durante a noite, com cólicas e uma suspeita de infecção urinária. Resultado: tomamos o café horrível do hotel beira de estrada e #partiuCuiabá.

 

  • Cuiabá – A cidade forno de padaria ainda está se preparando para a Copa do Mundo, mas tudo bem, deixa pra lá. Não sei como foram os dias de Copa e a recepção aos turistas, mas pelo menos em dezembro, deu pra ver que a cidade é muito despreparada. São poucas atrações e quase nada de sinalização ou informação. No sábado, a intenção mesmo era descansar, por isso ficamos bem instalados num bom hotel, desfrutando do ar e da TV (maratona Star Wars no Telecine!) sem culpa. O restaurante do hotel, apesar de bem contado nas internets, tem gosto, cheiro e preço de restaurante de hotel. Mas pra quem não queria sair do ar condicionado, valeu a pena. No domingo, reunimos a coragem e fomos para o calor. Passamos pelo Centro Histórico e o Marco Geodésico da América Latina, ponto central entre os oceanos Pacifico e Atlântico, medido pelo Marechal Rondon. Fomos também almoçar no Mercado Público, no Restaurante Regionalissimo, que pelas internets era o top da comida regional. Só que o restaurante fica numa cracolândia, é difícil de achar, e o preço, 45 reais, por pessoa, desanimou. Voltamos pra zona do hotel, que tinha uma peixaria também com bons comentários nas internets. Lá era 65 reais por pessoa! Pode até ser que valha a pena pra quem come horrores, mas pra nós, que queríamos algo mais leve, a opção acabou sendo a mais segura: buffet por quilo de sushi no shopping.

Conclusão – Cuiabá vale pra carimbar o passaporte em mais uma capital do Brasil, comer bolo de arroz e pra observar algumas curiosidades: a polícia só anda de bando, com mais de 6 policiais (nunca em duplas), mas nas praças principais. Na região do restaurante que mais recebe turistas e que é cheio de nóias e botecos suspeitos, não se via farda nenhuma. Outra coisa engraçada é como a cidade abraçou a gourmetização de tudo. Até Bistrô de Pastel a gente viu. Mas o Chopão, o bar/restaurante mais famoso e tradicional, continua fiel às origens: não tem ar condicionado, a comida é sem tempero e o chopp aguado.

 

  • Chapada dos Guimarães – Se em Bonito a organização e a acessibilidade dão o tom, na Chapada logo vimos que o negócio seria mais fisicamente desafiador. O clima e a vegetação são muito mais áridos as atrações turísticas muito mais rústicas e já na primeira volta a pé na grande praça central, deu pra ver que o sol castiga sem dó nem piedade.

Mas o que falta de organização, sobra em simpatia. Os roteiros não têm o script tão fechado quanto os de Bonito, sobra mais pra improvisação e pro futebol arte do guia. Demos a sorte tremenda de pegar “o” guia da Chapada, o cara que todo mundo da cidade dava um sorriso e um “Ah, o Alfredo”, quando a gente respondia o nome dele à pergunta “com quem vocês vão fazer o passeio?”. Perto de completar 60 anos, o Alfredo é uma criança hiperativa e superdotada. Além de enfrentar as longas caminhadas sem bufar, conhece todas as plantas, frutas e animais do cerrado e faz questão que os turistas cheirem, provem, observem e sintam tudo.

  • Caverna Aroe Jari – Pegamos a estrada em comboio de 4 carros, a caverna fica a uns 15 km do centro. No caminho, paramos no mirante pra ter uma vista geral da chapada e constatar que falta muito pro turismo ser mais organizado por aqui. O acesso ao mirante parece que foi arrombado, há uma briga pela posse das terras. Ainda por cima, inventaram (e puseram em placas pela cidade) que nesse lugar seria o centro geodésico da América do Sul, aquele que na verdade é em Cuiabá. Depois da paradinha pra fotos pro face e selfies sorridentes, partimos pra estrada, cruzando uma fazenda de soja cheia de emas no meio da plantação. As emas fazem controle natural de pragas, é curiosa a cena das aves enorme, pernudas, no meio de uma plantação baixa e verde.

Na chegada à sede do local, você precisa decidir se vai almoçar por lá mesmo. Comida simples, frango caipira, bem rusticão e gostoso, vale a pena e pode acreditar, poder comer ali na hora que chega, ao invés de meia hora depois na cidade, faz uma diferença danada. Porque você vai andar uns 8 km debaixo de um sol maldoso. E ainda vai andar com perneiras de couro até o joelho, pra proteger de espinhos e animais peçonhentos e te deixar com mais calor ainda. A trilha é na maior parte do tempo aberta, com subidas e descidas leves e alguns trechos de areia fofa (tudo aquilo já foi mar um dia). No percurso passamos pela Ponte de Pedra, Gruta do Lago Azul, pedra do equilíbrio, e diversas outras cavernas. Na principal, que dá nome ao lugar, é preciso entrar com lanterna na cabeça. E lá no meio do caminho, apagar as luzes e deixar a escuridão mexer com sua cabeça. Alguns sentem arrepios, alguns ouvem vozes…

  • Morro São Jerônimo – No final da trilha da Caverna Aroe-Jari, tava tão cansado que levantei a hipótese de desistir desse Morro, que seria no dia seguinte. São 16 km de percurso com o já conhecido e não menos temido sol do cerrado, mas dessa vez sem nenhuma estrutura por perto. E ainda tinha a questão da escalada, pra uma dupla em que 1 tem medo de altura e a outra tem labirintite. Mas como a gente tem um combinado de não desistir por medo, só por segurança, lá fomos nós superar mais uns limites juntos. Juntos com o Alfredo (e suas laranjas e goiabas), claro.

A caminhada é longa e cansativa, mas nunca tediosa. Apesar de ser na mesma região da caverna do dia anterior, passamos por várias formações, como a casa de Pedra e a pedra do sacrifício. Mas o que conta mesmo são os 500 m de subida de verdade. Em alguns pontos, você precisa escalar a pedra e andar literalmente à beira do precipício. Nada de perigo mortal, mas suficiente pra subir a adrenalina. Lá em cima, a vista continua fazendo a adrenalina subir. Ainda mais que a gente chegou lá com muito vento e nuvens negras no horizonte. A chuva caía longe, mas a gente sentia pequenos pingos trazidos pelo vento. Um fenômeno que nem o Alfredo tinha presenciado, uma chuva que vinha de baixo. Depois de algumas fotos numa grande pedra na ponta do monte, demos a volta pelo platô, por uma trilha estreita, aberta no meio da vegetação rasteira. Eu era o último da fila indiana quando senti um toque no tornozelo. Quase no mesmo instante, todo mundo sentiu o mesmo toque no pé, e o Alfredo viu passar rápido um lagarto, que resolveu ultrapassar a gente pela esquerda. Tava bom de interação com as animais e com uma chuva (e raios!) querendo se aproximar, era hora de descer.

 

 

O nosso ritmo de caminhada foi forte, por isso chegamos na pousada, tomamos uma banho rápido e 15h estávamos no Atma, um restaurante/pousada com uma vista linda. Ao invés dos tênis sujos de lama, das camisas de manga longa e do chapéu camuflado, roupas bonitinhas porque era 31 de dezembro e aquela seria nosso almoço/ceiadeanonovo. Comida deliciosa, cerveja 1500 (levinha e saborosa, de Belo Horizonte mas onipresente na região) e sobremesa pra fechar o último dia do ano bem antes da meia-noite.

 

 

  • Rota das Cachoeiras e Véu da Noiva – O último dia ficou para o circuito mais pop. Caminhada, cachoeiras, caminhada, cachoeiras. Tira e põe tenis, se molha e se enxuga. Uma rotina boa de se acostumar. São 4 cachoeiras onde podemos tomar banho, cada uma com uma atração diferente. Em uma dá pra ir atrás da queda d’água, outra tem uma banheira de hidromassagem natural e por aí vai. A única coisa em comum é a água gelada, que lava a alma.

 

  • Onde dormir e tomar banho – Ficamos na Pousada Villa Guimarães, perto o suficiente da praça pra ir a pé, mas longe o suficiente pra fugir do barulho da madrugada. Apesar de bem localizada, a pousada merecia um trato na aparência, principalmente na área externa. Mas o café da manhã fazia a diferença, todo dia o chef espanhol oferecia duas ou três opções de torradas ou omeletes especiais, além do buffet normal. Um prato bem apresentado (e gostoso, claro) logo cedo faz uma diferença no dia. Além disso, seguimos as dicas dele para achar locais legais pra se comer na Chapada.

 

 

  • Comida – O Pomodori é um restaurante com aparência bem simpática e comida boa, mas o atendimento é o contrário disso tudo. As empadas são famosas, mas dependendo da hora, não dá pra escolher qual sabor quer comer, simplesmente come o que tem. Já na pastelaria ao lado, simples de tudo, os pastéis são generosos e fritos na hora, o suco bem feito e o pessoal se esforça pra te atender.

Já no quesito alta gastronomia, vale experimentar o Bistrô da Mata. A vista é linda, e a comida deve ser boa. Digo deve porque fomos na noite de 1º de janeiro e a cozinha estava com cardápio reduzido. Como não nos empolgamos com nenhuma opção, ficamos só na entrada, bem feita e saborosa. Já o Atma, recomendamos empolgados. A vista também é linda, e o restaurante faz tudo pra te deixar confortável. Fomos lá pra um almoço tardio no dia 31, depois da caminhada do São Gerônimo. A comida, a bebida, a sobremesa, a vista, a chuva que passou em frente, a comemoração do fato de termos sido os últimos seres humanos a chegar ao topo do São Gerônimo no ano de 2014, tudo foi perfeito no Atma.

 

  • Campo Grande/MS e Ponta Grossa/PR – fizemos apenas um pernoite. A capital do MS até deu vontade de conhecer melhor, as ruas são amplas, limpas e bem arborizadas.
  • Estradas – A parte mais chata da viagem foi o trecho que passou por São Paulo (Presidente Prudente e adjacências). Estrada muito boa, duplicada e reta, sem nada pra ver nas margens e ninguém pra ultrapassar. No Brasil central também é tudo reta, mas como são pistas simples (a maioria com terceira faixa nas subidas maiores) e grande parte com asfalto bom, a viagem fica gostosa, dá pra ultrapassar com segurança e um pouquinho de emoção. E a vista é linda. No trecho de volta, saindo de Campo Grande, pegamos uns bons 100 km com uma quantidade absurda de animais mortos no acostamento: cobras e lagartos, tatus, tamanduás e até um pequeno cervo. Cenas fortes. Pelo menos as aves passam estão livres de serem atropeladas e ainda dão show: vários casais de arara passaram voando por cima do nosso carro, fazendo a gente ter mais certeza ainda de que viajar de carro é muito mais viagem.

 

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